Otávio Reis: uma jornada que atravessa gerações
A história do produtor de julho começa há mais de um século, na charmosa Três Pontas, ao sul de Minas Gerais. Desde o tataravô até hoje, já são cinco gerações da família Reis dedicadas à agricultura familiar, e, principalmente, ao cultivo de café. O amor pela terra foi passando de pai para filho, e agora quem está à frente da Fazenda do Salto é a geração de Otávio Reis, que toca o dia a dia junto dos pais, tios e primos.
Além de café, a fazenda também é referência na criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador. Uma combinação que carrega tradição, afeto e muito trabalho envolvido.

Terra fértil, alma no café
A Fazenda do Salto cresceu ao longo dos anos com muito suor, coragem e propósito. E mesmo com toda a modernização, alguns pilares seguem firmes desde o início: qualidade e sustentabilidade.
Localizada em uma região privilegiada para o cultivo de cafés especiais, a fazenda conta com solo rico, altitude ideal e um regime de chuvas generoso. Tudo isso contribui para uma produção consistente, estável e cheia de potencial. Mas claro: nada disso funcionaria sem o trabalho sério e comprometido da família Reis.
Raízes familiares e lembranças que viram propósito
A ligação da família com a Fazenda do Salto vai além do trabalho. É ali que Otávio e seus familiares passavam as férias, criavam memórias e construíam laços com a terra. Hoje, administrar a fazenda é também cuidar desse legado emocional.
“É um lugar que faz parte da nossa história, da nossa infância, das nossas melhores lembranças”, conta Otávio.
E, para além de boas terras e trabalho árduo, talvez seja isso que faz esse café ter algo a mais: ele nasce de um solo cultivado com afeto.

Cuidar da terra é cuidar do futuro
A Fazenda do Salto preserva cerca de 25% de área nativa de Mata Atlântica, um compromisso com o meio ambiente que vem desde o tempo do tataravô de Otávio. As práticas sustentáveis fazem parte da rotina: roçadas ecológicas, adubação com compostos biológicos, reaproveitamento da palha do próprio café, tratamento da água e uso de energia solar são alguns dos exemplos.
A presença constante de animais na fazenda também é um reflexo do respeito ao ecossistema local.
“Cuidar bem da terra é uma forma de garantir que ela continue retribuindo com qualidade”, reforça Otávio.
A Fazenda do Salto foi, inclusive, uma das primeiras do Brasil a ser certificada em boas práticas agrícolas. “Como a nossa região já é propícia para qualidade, já faz mais de 20 anos que participamos de concursos de qualidade, e aqui a visão voltada para qualidade existe há muitos e muitos anos.” – Otávio Reis.
Nem só de sol vive o cafezal: os desafios do campo
Mesmo com todos os privilégios naturais da região, a vida no campo também tem seus altos e baixos. Ao longo dos anos, a Fazenda do Salto enfrentou períodos de frio intenso e geadas que comprometeram seriamente as colheitas.
“Meu pai conta histórias de épocas em que tiveram que vender o café abaixo do custo. Foram tempos muito duros…”, relembra Otávio. Mas, essas adversidades nunca foram motivo para desistir. Pelo contrário, elas serviram como combustível para continuar e se reinventar.

Legado familiar que se transforma em diferencial
O que faz o café da Fazenda do Salto ser tão especial vai além do terroir e da técnica. É a estrutura completa que permite processar o café de várias formas (inclusive fermentações mais complexas), a boa localização da propriedade, mas, acima de tudo, é o valor que a família dá ao próprio legado.
A quinta geração dos Reis carrega nas mãos a responsabilidade e o orgulho de continuar algo que começou há mais de 100 anos. E, isso eles fazem com excelência, respeito à terra e paixão pelo que produzem.
Entre cavalos, café e memórias de infância
Hoje, a fazenda tem 1.700 hectares, dos quais 900 são dedicados ao cultivo de café. Mas não para por aí: também há produção de abacates, cereais e a criação de cavalos, uma tradição que já dura três gerações.
O café e os cavalos fazem parte da história familiar dos dois lados da família de Otávio. “Muito da paixão pela terra vem disso. As férias na fazenda, a convivência com os animais… O cavalo faz a criança se apaixonar pelo campo, e isso acaba despertando o amor pela agricultura”, diz ele.
Essa conexão afetiva com o campo é o que mantém viva a tradição familiar, e dá sentido a tudo o que produzem.
Do manejo do café à curadoria de julho!

Na Fazenda do Salto, a família de Otávio cultiva café com práticas que extraem o melhor das terras.
Por isso, a curadoria de julho da Veroo apresenta o que há de mais especial na produção da família Reis: um café com fermentação anaeróbica, que alcança impressionantes 86 pontos.
Ele se destaca pelo aroma intenso de frutas negras e nibs de cacau. Na boca, traz acidez marcante, corpo aveludado e notas de tâmara e cacau, com um toque alcoólico que remete ao Vinho do Porto. É um café feito com alma, do jeitinho que a gente gosta: de gente pra gente.



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