Métodos cônicos para preparo do seu café

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Quais os métodos de preparo de café você utiliza no dia a dia? Sabia que o modo como essa bebida é preparada influencia bastante o sabor dela? Por isso você pode desfrutar de diferentes apreciações experimentando técnicas variadas.

Uma das quais predominam na casa dos brasileiros são os métodos cônicos. São aqueles que utilizam utensílios em forma de cone para coar o café. Diversos deles foram projetados ao longo do tempo, cada qual com sua história e características para proporcionar um preparo diferente e uma experiência sensorial única.

Preparamos este post para que você possa conhecer métodos como Chemex, Koar e V60, a fim de experimentar cada um deles e encontrar aquele que traz para o seu café o sabor que mais agrada o seu paladar. Continue lendo!

Diferenças entre processos de extração de café

Todos os métodos de preparo de café têm como objetivo fazer a extração da bebida. A extração é o processo utilizado para dissolvermos os componentes dos grãos de café, além dos seus sabores.

Conforme fazemos essa manipulação, centenas de compostos são extraídos dos grãos e transferidos para a água, resultando na bebida que tanto amamos. Existem dois tipos de processo para fazermos a extração de cafés, são os métodos por infusão e por percolação.

Extração de cafés por infusão

Nesse método, o café é preparado de uma forma parecida como fazemos chás. A diferença é que primeiro aquecemos a água, o café é depositado no recipiente e a água quente vem logo em seguida, despejada sobre ele. Mantemos assim, em imersão, durante alguns minutos. Depois, o café é coado está pronto para ser servido. É o tipo de processo utilizado na Prensa Francesa.

Extração de cafés por percolação

Os métodos cônicos utilizam o processo de percolação para preparar o café. Aqui a água passa por ele fazendo a extração dos seus componentes, mas o pó do café não permanece submerso. É a maneira como a maioria dos brasileiros costuma preparar a sua bebida, nesse caso, conseguimos extrair também componentes solúveis, como a cafeína.

Apesar das suas diferenças, existem alguns métodos de preparo de café que utilizam os dois processos de extração. Para isso, o café permanece mergulhado na água e depois ele é filtrado em papel ou pano. Os métodos por sifão, Clever e Aeropress são alguns exemplos que associam essas duas extrações.

Métodos cônicos de preparo de café

Como explicamos, os métodos de preparo de café chamados de cônicos utilizam o processo de extração por percolação. Esse processo data do século XIX, quando surgiram as primeiras casas de café e chá em Tóquio, as kissaten. O primeiro método percolativo inventado foi o Nel Drip, ou seja, o popular coador de pano, que tem muita história para contar.

Mas foi no século XX que os primeiros métodos cônicos começaram a surgir, com os porta-filtros em formato de cone. O primeiro a ser inventado foi o Melitta Bentz. Depois esses utensílios foram aprimorados e vieram Chemex, o Koar, o Kalita e assim por diante. A seguir contamos um pouquinho sobre a história de cada um deles e as suas particularidades.

Mellita Bentz

Como o Melitta Bentz foi o primeiro porta-filtro cônico inventado, nada mais justo do que começarmos com ele. Esse porta-filtro tem o fundo achatado e um furo que permite a passagem do café, mas por ser apenas uma abertura, a velocidade de vazão é muito baixa.

No entanto isso não é um problema porque, como o café escoa devagar, é possível aplicar algumas técnicas de preparo, controlando o processo para alcançar o resultado desejado. Esse é o caso da agitação ideal, do despejo e da retenção da temperatura. Mas, em especial quando a bebida é preparada em casa, as pessoas não costumam se preocupar com essas variáveis.

Nem todo mundo considera o Melitta Bentz como um método cônico por causa do formato do seu fundo. No entanto, o espaço onde o filtro é acomodado tem o formato de cone, e não podemos ignorar esse método porque ele serviu como base ou inspiração para o desenvolvimento de outros métodos, como o Kalita e o Kono Meimom, que você vai conhecer em seguida.

Kalita e Kalita Wave

O Kalita é um método cônico japonês que veio logo em seguida do Melitta Bentz, lançado no final da década de 1950. A diferença é que o porta-filtro Kalita conta com três furos no fundo, para o café escoar mais rápido. A desvantagem é o menor tempo para aplicação de técnicas.

O Kalita Wave tem esse nome por causa do formato dos seus filtros de papel. Eles têm algumas ondas em sua estrutura, com o intuito de garantir uma extração mais homogênea. Esse método é mais conhecido fora do Brasil, e também permite fazer a extração para apenas uma xícara de café, com o Kalita Caffe Uno.

Kono Meimon

Continuando os métodos de preparo de café inspirados no Melitta Bentz, temos o Kono Meimom. Ele é considerado como um dos primeiros métodos realmente cônicos, já que o seu porta-filtro não tem o fundo achatado, como nos dois anteriores.

Foi lançado em 1973 pela empresa Coffee Syphon. O porta-filtro tem apenas um furo, mas com um tamanho bem maior em comparação com o Melitta Bentz. Além disso, conta com diversas ranhuras em suas laterais, mas apenas no fundo.

O design desse porta-filtro permite que a água seja distribuída de maneira uniforme em todo o filtro. A abertura garante uma velocidade constante de extração e as ranhuras favorecem o fluxo de ar enquanto o café é extraído.

Esse método é muito popular no Oriente, mas ainda não é muito conhecido aqui no Brasil. Há quem afirme que assim como o Melitta Bentz, ele tenha servido de inspiração para a criação de outro método de preparo de café, nesse caso, o Hario V60.

Hario V60

O V60 é um método desenvolvido pela empresa Hario, que desde 1921 está estabelecida no Japão. Ela ficou conhecida como Rei do Vidro por causa da alta qualidade dos produtos que fabricava nesse material, muito utilizados em laboratórios.

Por volta da década de 1980, os designers da Hario começaram a desenvolver um porta-filtro que possibilitasse a água percolar mais rápido e, com isso, trouxesse um sabor mais limpo para o café, amenizando o seu amargor. O formato de parábola foi escolhido porque evitava essa superextração que deixava a característica amarga.

O primeiro porta-filtro cônico criado pela Hario tinha um arame que segurava o filtro de papel. O projeto não deu muito certo porque houve uma grande onda de adesão ao café solúvel, e a ideia acabou ficando de lado até 2004.

Nesse ano, a Hario fez algumas modificações no produto original acrescentando ranhuras ao longo de todo o porta-filtro. Assim, lançou oficialmente o seu novo produto, que acabou se tornando o mais famoso da empresa.

No começo, eram utilizados o vidro e a cerâmica para confecção dos porta-filtros. Logo em seguida, a Hario lançou versões em metal e plástico, além de algumas versões especiais com base em madeira de oliveira e a outra em cobre.

O formato de parábola do V60 tem como inspiração a natureza. Unindo os pontos da parábola formamos um V que traz um ângulo de 60°, daí veio o nome desse método de extração de café. Como a velocidade de despejo da água é maior, conforme explicamos, temos uma bebida mais leve.

Apesar dessas mudanças pelas quais o método Hario V60 passou, o modelo original ainda existe. Ele é produzido em Narita, no Japão, encontrado sob o nome Arita yaki e confeccionado em porcelana, que tem como matéria-prima uma argila de alta qualidade.

Chemex

Com um design muito inovador e também bonito, o método Chemex surgiu nos Estados Unidos no início da década de 1940. Esse equipamento tem o formato de uma ampulheta e foi patenteado pelo Dr. Peter Schlumbohm, que o lançou oficialmente em 1941. A partir daí, ganhou adeptos no mundo inteiro.

O extrator utilizado no método Chemex é uma peça única confeccionada em um vidro especial chamado borossilicato. Esse material foi inventado pelo próprio químico no final do século XIX. Sua principal característica é alta resistência a componentes químicos e ao calor.

Para completar o visual singular do Chemex, ele recebeu um colar de madeira produzido com seringueiras vindas da Malásia, e a finalização com um laço de couro, fabricado pela empresa Rawlings, fornecedora de luvas de beisebol.

Quando o doutor Peter desenvolveu o Chemex, seu objetivo era tornar o preparo do café mais fácil, e também desenvolver um utensílio que tivesse um grande destaque em função da sua estética. Utilizando seus conhecimentos em química, ele projetou o equipamento visando reduzir o sabor amargo do café.

Assim, além de desenvolver o recipiente, o químico alemão também inventou um filtro específico para Chemex, com uma camada dupla. Seu material era grosso para que a extração acontecesse de uma forma limpa.

O Chemex continua sendo produzido, mas mesmo com toda a tecnologia de produção existente, a empresa ainda realiza muitas etapas do trabalho de maneira manual. Isso porque ela não conta com um sistema completo automatizado, assim, a finalização da produção de cada Chemex é feita por métodos artesanais.

Koar

O método Koar é muito recente e foi criado aqui no Brasil, em Pernambuco. Sua história começa em 2017, quando Fernando Sá, Lidiane Santos e Felipe Santiago se uniram com o intuito de desenvolver um método que resultasse em uma bebida encorpada e doce.

Para conseguir atingir esses resultados, eles tiveram a ideia de reunir métodos e processos em um só produto. Criaram protótipos em impressoras 3D e, depois de muitos testes, escolheram a cerâmica vitrificada para lançar o primeiro Koar.

Nesse método cônico, o porta-filtros conta com ondulações e a profundidade foi escolhida de modo que o filtro de papel não aderisse às paredes do utensílio, mantendo sempre um bom espaço para garantir o fluxo de ar. Isso também contribui para aumentar a velocidade da extração.

Eles escolheram a angulação de 55°, com uma abertura única e central de 15mm. Assim a passagem da água é mais equilibrada, o que possibilita extrair um café com um grau de acidez agradável mais doce e com o corpo que eles desejavam.

Cada porta-filtro Koar é único. Isso porque eles são feitos de maneira artesanal em cerâmica pintada à mão. As cores são escolhidas por inspiração em asas de borboletas, por isso, também serve como uma bela peça decorativa.

Em 2019, Juscelino Bourbon se juntou ao time para desenvolver o Koar em outros materiais, como o metal. No mesmo ano foi lançado o Koar de acrílico, com um valor mais acessível e que possibilita produzir uma quantidade maior de café.

Também existe a versão em aço inox, um modelo que pode ter uma válvula acoplada para controlar a extração, retendo o líquido no porta-filtro. Com esse recurso é possível utilizar o mesmo produto para aplicar os processos de percolação e de infusão, variando as receitas.

Apesar dessas variações, o Koar em cerâmica continua sendo produzido em Pernambuco. E ainda, a empresa lançou o seu próprio filtro de papel, que traz a versatilidade de também se encaixar no porta-filtro V60-02, da Hario.

Como escolher o método de preparo do café

Como você viu, cada um desses métodos de preparo de café apresenta diversas possibilidades para diversificar suas receitas. Cada qual resulta em uma experiência sensorial diferente, por isso, não podemos apontar um como melhor do que o outro.

A escolha é muito pessoal e depende do tipo de experiência que você deseja ter ao apreciar o seu café. Vale experimentar as bebidas preparadas em cada um desses processos, uma oportunidade também para você conhecer cafeterias pelo Brasil a fora!

Assim, poderá saborear e escolher o método de preparo de café que mais agrada o seu paladar. Ou então, você pode selecionar aquele que desperta uma simpatia ou com o qual você tenha afinidade por causa da sua história. Seja como for, o mais importante é escolher a técnica que permite aproveitar ao máximo os momentos com a sua deliciosa xícara de café!

Mas você não precisa ir longe de casa para tomar um café saboroso. Confira neste outro post como fazer um café especial em casa aplicando algumas dicas simples! 

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